Nos anos 1970, os autódromos brasileiros viveram uma fase inesquecível. Carros que faziam parte do cotidiano das famílias eram transformados em verdadeiras máquinas de corrida. Entre eles estava o Fusca, que ganhou destaque na famosa Divisão 3.
Na categoria de até 1.600 cilindradas, os preparadores retiravam tudo o que fosse desnecessário para diminuir o peso. Os Fuscas recebiam motores preparados, carburadores maiores, escapamentos esportivos, suspensão modificada e pneus largos do tipo slick.
Como o regulamento exigia que as rodas ficassem cobertas, os para-lamas precisavam ser bastante alargados. O visual ficou tão agressivo que esses carros passaram a ser chamados de “Alicantões”.
Imagine um domingo de corrida daquela época: o autódromo cheio, o cheiro forte de gasolina e óleo no ar e vários Fuscas coloridos alinhados para a largada. Quando a bandeira baixava, o ronco dos motores refrigerados a ar tomava conta da pista.
Os carros entravam juntos nas curvas, muitas vezes disputando espaço lado a lado. Como o motor ficava na traseira, o Fusca possuía boa tração, mas exigia bastante habilidade do piloto. Uma entrada exagerada na curva poderia fazer a traseira escapar rapidamente.
O mais interessante era a identificação do público. Nas arquibancadas, muitas pessoas tinham um Fusca semelhante estacionado em casa. Elas viam nas pistas uma versão extrema do mesmo carro que utilizavam para trabalhar, viajar e levar a família.
Um exemplo desse período aconteceu no Autódromo de Tarumã, inaugurado em 1970, no Rio Grande do Sul. Fotografias históricas mostram Fuscas disputando posições com outros carros pequenos diante das arquibancadas cheias.
A Divisão 3 ajudou a provar que o Fusca não era apenas um veículo popular e econômico. Com preparação e pilotos corajosos, ele conseguia se transformar em um legítimo carro de competição.
Décadas depois, aqueles Fuscas largos, baixos e barulhentos continuam sendo lembrados como alguns dos carros mais carismáticos do automobilismo brasileiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário